quarta-feira, 14 de abril de 2010

Armas de Destruição em Massa?

Contudo, tudo isto – desde o fantasioso encontro em Praga às igualmente fantasiosas armas de destruição em massa – foi repetido como sendo factos pela maior parte da comunicação social norte-americana, especialmente no período imediatamente antes do início da guerra (quando a verdade teria prejudicado gravemente o esforço de guerra e seria “antipatriótico”) e durante a própria invasão. Isto mostra o grau em que a classe dominante dos EUA como um todo o achou útil. Certamente que o facto de a ocupação estar a correr tão mal é pelo menos uma grande parte da razão por que Bush está a ser “apunhalado pelas costas” por antigos companheiros de confiança como Clarke e o ex-Secretário do Tesouro O'Neill (e o ex-Embaixador Joseph Wilson, cujo livro sobre as mentiras do governo Bush sobre a compra de urânio em África por Saddam sairá em breve).

Mesmo após estas mais recentes revelações, o debate político dominante nos EUA – tanto os defensores de Bush como os seus rivais do Partido Democrático – tem-se limitado aos parâmetros da melhor maneira de fazer “a guerra ao terrorismo” e a quem, dentro desses parâmetros, melhor “protege o povo norte-americano”. A crítica que os Democratas estão a fazer a Bush e aos seus conselheiros é a de que não foram suficientemente agressivos e motivados para lutar. Mas o testemunho de Clarke mostra que eles estavam fanaticamente motivados para terem um pretexto para irem para a guerra, e não apenas para uma guerra mas para uma série completa de guerras cujo fim ainda não está à vista.

No seu julgamento de 1946 em Nuremberga, Hermann Goering, o ministro nazi da propaganda, deu uma lição que parece ter sido aprendida de cor pelos políticos belicistas dos dois principais partidos políticos dos EUA: “É claro que as pessoas não querem a guerra... Isso é sabido. Mas afinal de contas, são os dirigentes do país que determinam a política e é sempre apenas uma questão de arrastar as pessoas... Tudo o que têm a fazer é dizer-lhes que estão a ser atacados e denunciar os pacifistas pela falta de protecção e por exporem o país ao perigo.”

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