quarta-feira, 14 de abril de 2010

World Trade Center, um pretexto?

O Presidente Bush e o seu círculo mais chegado não mostraram nenhum interesse na prevenção de um possível ataque da Al-Qaeda antes do 11 de Setembro de 2001. Assim que houve o ataque ao World Trade Center, agarraram-no como um pretexto para uma invasão norte-americana do Iraque. Estes são os dois principais pontos das afirmações de Richard Clarke, responsável pelo contra-terrorismo de Bush e de dois anteriores presidentes dos EUA, confirmado o que muitos milhões de pessoas em todo o mundo já suspeitavam há muito tempo.

O testemunho de Clarke perante um comité do Congresso foi amplamente coberto pela comunicação social dos EUA e do mundo. O que não foi amplamente analisado e merece alguma atenção é a ligação política entre esses dois pontos.

Bush assumiu a presidência determinado a invadir o Iraque. (Isto está amplamente documentado, mais recentemente por outro ex-funcionário de Bush agora desiludido, o Secretário do Tesouro Paul O'Neill.) Documentos de fundo publicados em 1996 e 1997 por um grupo chamado Projecto para o Novo Século Americano pediam “a retirada do poder de Saddam Hussein e do seu regime” como um passo-chave de uma ofensiva mundial para alcançar exactamente aquilo que o seu título abertamente indicava – fazer do século XXI um século de incontestável domínio global norte-americano. Os signatários desses documentos assemelham-se a uma lista do grupo exclusivo que entrou para a Casa Branca com Bush em Janeiro de 2001: o vice-presidente Cheney, o Secretário da Defesa Rumsfeld e o Vice-Secretário da Defesa e ideólogo-chefe Wolfowitz. Clarke não menciona nada disto, mas ter isto em conta ajuda a compreender o seu relato do que ele considera o comportamento irracional da administração Bush.

Clarke disse a semana passada que apesar dos seus esforços para chamar a atenção para o que acreditava ser a ameaça de um ataque da Al-Qaeda, logo desde o momento em que os conselheiros de Bush se instalaram, se recusaram a considerar essa possibilidade até uma semana antes do World Trade Center ter sido atingido. Alguns dos principais comentadores políticos dos EUA e da Grã-Bretanha concluíram que a explicação para a sua teimosa indiferença residia na sua obsessão em se livrarem de Saddam. Se esta foi ou não foi a única razão, é uma questão que não pode ser respondida agora. Que eles não se preocuparam, porém, é o mínimo que pode ser dito a partir do chocante testemunho de Clarke.

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